Novas evidências mostram garimpo ilegal de ouro generalizada no território indígena Munduruku, na Amazônia brasileira, enquanto tribunal internacional de direitos humanos investiga — EIA

Novas evidências mostram garimpo ilegal de ouro generalizada no território indígena Munduruku, na Amazônia brasileira, enquanto tribunal internacional de direitos humanos investiga

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WASHINGTON, D.C. – Um novo relatório da EIA apresenta imagens de satélite de alta resolução que mostram a presença extensa de garimpo ilegal de ouro em todo o território indígena dos Munduruku na Amazônia brasileira, apesar de uma recente operação governamental de combate ao garimpo. O relatório mostra como as organizações Munduruku, com o apoio da EIA, estão utilizando tecnologias de monitoramento geoespacial para documentar e denunciar o garimpoilegal em seus territórios, que contamina suas fontes de água e alimentos com mercúrio tóxico. As evidências estão sendo compartilhadas com as autoridades brasileiras e com a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que enviou uma delegação no início de setembro para avaliar o cumprimento, por parte do Brasil, dos seus compromissos de proteção dos direitos e modos de vida dos povos indígenas.

“O garimpo ilegal de ouro continua envenenando o território e a vida do nosso povo Munduruku, contaminando nossos alimentos e água com mercúrio tóxico. Ao permitir que esse garimpo continue, o governo brasileiro está deixando de cumprir seus compromissos constitucionais e internacionais de proteger nossos direitos e modo de vida”, declarou a Associação de Mulheres Munduruku Wakoborũn.

As novas evidências são as mais recentes de uma série de relatórios de monitoramento produzidos em conjunto por três organizações Munduruku e pela EIA e compartilhados com órgãos governamentais e organismos internacionais. Os relatórios utilizam imagens de satélite de alta resolução e observações de campo para documentar a destruição contínua de florestas e cursos d’água causada pelo garimpo ilegal de ouro nos territórios Munduruku, na região do alto Tapajós . Entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, o governo federal do Brasil realizou uma operação de fiscalização amplamente divulgada para interromper o garimpo, mas o monitoramento feito pelos Munduruku e pela EIA constatou que o garimpo foi rapidamente retomado e se intensificou neste ano. Apesar das evidências serem compartilhadas rotineiramente com os órgãos governamentais competentes, a EIA não tem conhecimento de qualquer nova medida tomada para interromper a mineração.

“A escala e a ousadia do garimpo ilegal de ouro no território dos Munduruku são surpreendentes, e os impactos para o povo Munduruku são verdadeiramente devastadores”, disse Rick Jacobsen, gerente sênior da EIA U.S. “Rios estão sendo substituídos por poças tóxicas de mercúrio e florestas derrubadas para dar lugar a areas de garimpo ilegal, estradas e pistas de pouso. O governo deve ser elogiado por seus esforços para interromper o garimpo no ano passado, mas a batalha está longe de terminar e são necessárias medidas firmes e urgentes para enfrentar essa crise de saúde e ambiental.” 

O povo Munduruku, com cerca de 16 mil pessoas, vive há séculos ao longo do rio Tapajós e de seus afluentes, no que hoje são os estados do Pará e do Mato Grosso. Seus territórios estão na linha de frente do desmatamento na Amazônia brasileira e enfrentam muitas ameaças. No início deste ano, a EIA publicou o relatório “Contrabandistas, Corretores e Compradores”, expondo uma extensa operação de extração ilegal de madeira na Terra Indígena Munduruku que degradou milhares de hectares de floresta tropical intacta. Os Munduruku e a EIA apresentaram as evidências ao governo brasileiro, mas até o momento ninguém foi responsabilizado por esse roubo maciço de madeira.

O povo Munduruku pede ao governo que tome medidas imediatas para interromper o garimpo ilegal, retire todos os invasores de seus territórios e estabeleça uma presença permanente para impedir novas invasões.

Contato

Rick Jacobsen, Senior Manager, Commodities Policy, EIA US – [email protected]

Holly Koch, Communications and Media Lead, EIA US – [email protected]